segunda-feira, 22 de novembro de 2010

O Sonho



                                                                                                            Nina Rodrigues

Eu estava andando pela rua, não demorou muito para eu avistar uma casa, ela estava com a porta aberta e resolvi entrar. Quando entrei a casa estava toda bagunçada, vidros e espelhos quebrados, toda a mobília destruída e tudo espalhado pelo chão. Fui andando pela casa com passos cautelosos e avistei uma sala iluminada, pensei que poderia haver alguém lá então entrei. Na sala estava tudo arrumado, o ambiente, a decoração pareciam singelas, porém algo me intrigou, havia uma mesa de sinuca no centro com algumas bolas, logo percebi que era um jogo que não havia terminado. Inocentemente resolvi terminar, peguei o taco que tinha em cima da mesa e comecei a jogar, na demorou muito para eu terminar, o jogo não estava difícil.
Mas algo estranho aconteceu quando larguei o taco novamente em cima da mesa senti uma sensação estranha, como se alguém estivesse me olhando, estudando meus movimentos e me deu medo, resolvi sair daquele lugar , e me virei de costas para a mesa, mas escutei uma voz, não entendia o que falava, porém sabia que vinha atrás de mim no canto da sala. Me virei, e encontrei a mesa com outro jogo montado, depois entendi o que a voz dizia: “termine o jogo”.
Não sabia o que estava acontecendo, estava com medo, um frio na espinha foi gelando gradualmente minhas costas, mas mesmo assim resolvi terminar o jogo.
Passei um bom tempo jogando, sempre que terminava uma partida começava outra, porém ninguém arrumava a mesa o jogo simplesmente aparecia sozinho. Ouvi a voz de novo e procurei com os olhos para descobrir de quem era, então olhei rapidamente para o canto da sala e vi um menino sentando, era pequeno, não aparentava ter mais de 10 anos, vestia um terno preto , estava arrumado como um pequeno homem.
Em geral não entendia o que ele falava, só a última parte: “então, jogue mais uma”. O jogo estava fácil e ganhava todas, fui jogando sabia que era com alguém, pois as bolas se movimentavam sozinhas depois das minhas jogada, porém ninguém estava lá só eu e o menino sentado.
Percebi que jogava fazia tempo então parei, e apareceu na mesa mais um jogo, mas quando olhei para fora da sala estava tudo escurecendo. Olhei para a mesa e não percebi que estava apostando algo, mas no primeiro momento não sabia o que era. Joguei a última vez e perdi, uma raiva tomou conta do meu corpo, pois era a única vez que tinha apostado, e perdi, não acreditava porque foi por pouco, mas perdi.
Revoltado saí da sala e a casa estava um pouco mais clara. Cheguei na mesma porta que tinha entrado, mas não havia mais aquela porta, agora haviam duas iguais aquela. Um pensamento veio a tona na minha cabeça: “será que estou apostando com o demônio ?”. Não sabia dizer porque o menino não se identificou e algo que não tinha reparado, mas depois que o pensamento veio a minha cabeça percebi, eu não vi os olhos do menino.
Estava eu ali, em meio a escolha de duas portas, olhei para trás num movimento desesperado procurando por outra saída, mas tudo estava escuro atrás de mim, sem volta.
As portas eram iguais, nada escrito nem indicado. Não tinha muito o que pensar, entrei em qualquer uma.
Quando saí, estava na rua de novo, suspirei aliviado com a esperança de que aquele era só um pesadelo que tinha passado, mas me enganei. Olhei para os lados não havia ninguém. Nesse momento algo entrou na minha mente, eu sabia que procurava algo, parecia que tinha algum peso em meu corpo, e não conseguia ficar em pé, então caí de joelhos.
Conforme me lembrava de me passado, logo ele dissolvia como uma fotografia pegando fogo e se apagava da minha mente. Desesperado escondi em minha mente o meu mais valioso tesouro, o amor e as lembranças que tinha com a Sofia.
Lutei com todas as minhas forças, foi difícil me derrubar. O que quer que tinha entrado em minha mente não achava maneiras de me enfraquecer, eu estava quase me levantando, estava quase ganhando a luta. Quando percebi que ele tinha encontrado o que eu tinha escondido, meu tesouro mais precioso, eu vi o meu amor e minhas lembranças se dissolverem como uma fotografia em chamas, tantos momentos bons e inesquecíveis destruído em segundos, sem conseguir acreditar no que acontecerá e sem forças para lutar caí completamente desacordado, fora de mim.

Um comentário:

  1. Ow, a imagem deixou o texto mais dark. O sonho continua amedrontador. Alguma chance de continuar ou usar ele como uma história, sei lá?

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